Arquivo do mês: janeiro 2012

A máscara da inocência

– Você está tomando banho?

Embora eu estivesse vestida, com as pernas abertas e apenas com a cabeça sob o chuveiro – contorcionismo que qualquer um que lê as mil dicas mensais de sexo da revista Nova faz com tranquilidade – disse que sim.

O menino ainda me olhou meio curioso, mas aceitou a resposta e foi brincar em outro lugar.

Uma meia hora depois, eu quase pronta calçava os tênis, quando ele já encarapitado na minha janela, olhou-me bem e observou:

– Você não tomou banho, você só lavou o cabelo.

De bom humor, admiti que de fato só tinha lavado o cabelo porque havia tomado banho mais cedo para ter tempo para brincar com ele antes de ir pro trabalho. Explicar para um menino de três anos como funciona uma máscara capilar não estava nos meus planos e nem devia constar nos dele.

Ele considerou a resposta por uns minutos e deve ter achado mais crível, por isso não voltou a me questionar.

Ainda outro dia assistíamos à tv, quando numa briga daquelas bem infantis eu o chamei de feio e ele me disse que feia era minha avó, e caiu na gargalhada. Não sei onde ele aprendeu aquilo, mas tudo bem. Contei que minha avó já havia morrido. Ele realmente se espantou: – Morreu? Morreu, eu confirmei. Daí ele se levantou desconfiado, foi até a sala de jantar e voltou triunfante:

– A vovó não morreu!

Expliquei a ele que a minha avó era quem tinha morrido, não a dele. Mas ele estava satisfeito demais por a vovó ainda estar viva para se prender às letras miúdas.

Fiquei pensando nessas duas histórias e elas me lembraram de uma frase de Jesus – acho que finalmente captei o que ele quis dizer. Ele estava lá em um daqueles montes de Israel pregando e os pais iam levar as crianças embora para que pudessem apreciar a pregação tranquilos. E ele fala para deixá-las ficar, porque delas é o reino dos céus.

É público e notório o quanto gostaria de ser mais bem informada sobre os critérios para entrar no céu, mas imagino que talvez Jesus tenha sugerido que devemos preservar o que temos de melhor da nossa infância, nessas horas as pessoas sempre pensam na inocência e no coração puro, mas poderíamos expandir um pouco o raio de características. Cada criança nos surpreende com algo diferente, então acredito que seria justo. No mais, só me cabe rezar para que aquele menino continue curioso e disposto a não aceitar qualquer coisa como verdade.

 

Aline Viana


As boas qualidades

As boas qualidades

 
 
Conheça-te a ti mesmo, já dizia Sócrates. Nunca antes essa máxima filosófica esteve tão em evidência como agora, nos tempos modernos. É à base da auto-ajuda. De que vale ter todos os conhecimentos do mundo se não conseguimos conhecer não só o nosso interior e por que não, também o nosso exterior?

 

 
 
As pessoas começam a pensar e pensar e aí encontram mil e um defeitos descobrindo a necessidade de combatê-los, transformá-los em boas qualidades. São tantos os defeitos que ela desiste. Larga pra lá. Reunem-se às vezes para falar dele e dizem eu sou isso e sou aquilo preciso parar com isso e com aquilo outro.

 

 
 
Certa vez fiz um desses cursos místicos para aprender a me conhecer e a melhorar. Entre as coisas das quais me lembro está a questão de preconceito. Pediram que listássemos nossos preconceitos, mas tão logo apresentávamos a nossa lista por escrito éramos instados a voltar e a pensar melhor. Todos recebemos esse convite desde quem alegava não ter preconceito nenhum aos bem assumidos. Tem mais, procura que acha. Como doença. Se você sai procurando acaba achando. Eu me lembro de ter ganhado a competição (porque no fundo era uma competição). Listei trezentos preconceitos conferidos para eliminar os repetidos. Achei uma bobagem sem tamanho, mas se era para fazer, fiz.

 

 
 
É algo que me deixa desconcertada – quando reunimos para enumerar nossas características só falamos das ruins. Por que será? Acho que temos vergonha de falar sobre nossas boas características. O que vão pensar de mim, deve ser o que pensamos. Onde está a modéstia, o recato? Quem quer saber das coisas boas que tenho em meu interior e que gostaria de compartilhar? Ninguém. Temos vergonha de dizer para nós mesmos quais as boas qualidades que temos e estamos sempre justificando o fato de sermos virtuosos. E é aí onde acho que mora o erro. Vou explicar.

 

 
 
Se eu quero realmente me conhecer por que não começar listando para mim mesma o que de bom eu tenho, que trago como característica de minha individualidade? Eu sei que tenho boas qualidades e uma amplidão de defeitos. Mas as qualidades é que deveriam ser valorizadas, não os defeitos. Não estou com isso querendo dizer que devemos ficar nos pavoneando por aí, mas devemos olhar bem o nosso eu interior e descobrir as coisas boas que temos, pois será a partir delas que poderemos combater as más inclinações. E quando tivermos conversando com amigos, ou fazendo work shops de autoconhecimento ou se tratando com um médico, falar de nossas boas qualidades.

 

 
 
Por que eu deveria realçar os meus defeitos, torná-los mais fortes ainda, transformá-los em cicatrizes de meu caráter que só sairão com uma cirurgia plástica espiritual e não realçar as minhas qualidades?

 

 
 
Eu tenho algumas qualidades das quais gosto. Minha tia/madrinha um dia me disse: Você é boa como seu pai. Seu pai era um homem muito bom e você herdou isso dele. Fiquei feliz. Por ver a bondade de meu pai reconhecida e por ter herdado isso dele. A partir daí passei a analisar as minhas atitudes sob a luz da bondade. Não fiquei muito convencida. Muitas vezes a minha bondade não passava de preguiça. Comodismo. Mas a partir de uma característica positiva tentei pelo menos eliminar os meus atos supostamente bons, mas que na verdade não passavam de comodismo, falta de pulso. Valeu mais do que se eu estivesse combatendo o meu comodismo.

 

Minha mãe me disse: você não se parece nada comigo, nem fisicamente nem na maneira de enfrentar a vida. Mas tem uma coisa que você herdou de mim. Você é confiável porque não mente e é honesta. Aí a coisa complicou. Ser honesta nunca foi difícil porque acredito piamente nessa afirmativa: o que é seu é seu, o que é meu é meu. Mas não mentir? Será que eu não minto mesmo, hora nenhuma? Pode ser que sim, pode ser que não. Mas realmente para mim é difícil mentir. Não consigo fazer isso na cara dura. Minhas amigas perguntam: por que não veio a reunião? Eu respondo: porque estava com sono e queria dormir. Por que não fez o exercício de Inglês (eu estudo, mas não saio da base)? Eu respondo: preguiça.
 
O motivo? Por que estou falando sobre isso aqui? Porque resolvi desafiar a cada um de meus leitores a listar pelo menos cinco boas qualidades que possuem e se concentrar nelas, conhecê-las bem para poder utilizá-las como arma no combate às próprias deficiências. Aqueles que forem modestos (eu não sou) podem ficar com elas dentro de si próprio, mas quem for um pouquinho mais ousado, que ponha para fora contando a todos nós.
 
 
 
 

 

 
 
 

 

 
 

Imprimida

Às vezes acontece da lágrima ficar querendo escorrer olho abaixo. Enquanto a mente não permite, não entende, ela rola de um canto a outro, esperando se entra ou sai. Até que dá para fazer um esforço e deixar ela cair mas daí, como não tem razão aparente, fica meio feio chorar sem motivo. Mas o aperto no coração existe. E a tristeza está espreitando. Tem dias que a gente fica perdido no próprio corpo, esquecido da própria vida. E se não balança a cabeça e presta atenção na tevê, acaba mesmo é chorando sem porquê.

Marina Costa


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                                Imagem

 

 

BALA, O BISCOITO E A FLOR DE LÓTUS

Eu me lembro de um tempo em que as formas, as cores e os sabores dos produtos não estavam desvanecidos na entropia promovida pela sociedade de consumo. Dentro desse tempo, minha memória recorta um momento particular em que pedi a minha mãe uma bala; enquanto ela pegava essa bala numa prateleira que, para mim, era alta, eu me sentei a um canto, fruindo o instante de espera; e recordo o sorriso de minha mãe ao me ver ali, quieto, concentrado para o simples e pleno desfrute de uma bala.
Eu não estava sentado na posição de lótus, mas a imagem dessa postura, própria à prática da meditação, sempre me ocorre junto com a memória dessa cena. Tanto a postura quanto a cena me reconduzem a Thich Nhat Hanh.
A postura de lótus me reconduz a Thich Nhat Hanh, pois ele é um monge budista vietnamita que conheci através do livro “Vietnã, flor de lótus em mar de fogo”, da Editora Paz e Terra. Entre permanecer meditando no mosteiro ou ajudar seu povo que sofria sob o bombardeio e outras devastações perpetradas pelo exército norte-americano, Nhat Hanh foi um daqueles que escolheram fazer as duas coisas, ajudando a fundar o movimento de “budismo engajado”. No Vietnã ele criou uma organização assistencial de base popular que reconstruiu vilarejos bombardeados, fundou escolas e centros médicos, restabeleceu famílias sem lar e organizou cooperativas agrícolas. No exterior, Thich persuadiu Martin Luther King a se opor publicamente à Guerra do Vietnã, ajudando, dessa forma, a reanimar o movimento pela paz. No ano seguinte, Luther King o indicou para o Prêmio Nobel da Paz e, depois disso, Nhat Hanh liderou a Comissão Budista nas Conferências pela Paz em Paris.
A cena da bala me permite a intertextualidade com esse texto de Thich Nhat Hanh que encontro agora em seu livro “Paz a cada passo”, da Editora Rocco:
“Quando eu tinha quatro anos de idade, minha mãe costumava me trazer um biscoito cada vez que voltava do mercado para casa. Eu ia então para a frente de casa e levava um bom tempo para comê-lo, às vezes meia hora ou quarenta e cinco minutos para um biscoito. Eu dava uma mordidinha e olhava para o céu. Depois, roçava o cachorro com meus pés e dava mais uma mordidinha, Eu simplesmente gostava de estar ali, com o céu, a terra, os bambuzais, o gato, o cachorro, as flores. Conseguia agir assim porque não tinha muito com que me preocupar. Não pensava no futuro, nem lamentava o passado. Estava inteiramente no momento presente, com meu biscoito, o cachorro, os bambuzais, o gato e tudo o mais.”          
E Thich conclui: “Talvez você tenha a impressão de ter perdido o biscoito da sua infância, mas eu tenho certeza de que ele ainda está aí em algum canto do seu coração. Tudo ainda está aí.”        
                                                        

                                                                         Afonso Guerra-Baião                                           


Veríssimo na livraria

Há algum tempo eu confessei aqui que leio livros na própria livraria – aproveitando os sofás que estão lá justamente para isso. Inteiros, do começo ao fim, lembro-me de “A Mulher do Centroavante”, do David Coimbra, e “Ungáua”, do Ruy Castro – ambos de crônicas. Sugiro ao leitor, que por acaso for tão cara-de-pau quanto eu, que prefira mesmo os livros de crônicas. Isso porque você provavelmente não terá tempo de ler em um fôlego só. Talvez fique dias sem encontrar tempo para ir à livraria. E se estiver lendo um romance, fatalmente perderá a meada da história. Terá que voltar páginas. Melhor então que sejam crônicas, para que você possa começar uma nova toda vez que for ler.

Mas o que eu queria dizer é que eu estava numa dessas livrarias justamente para ler, dessa vez “A Cabra Vadia”, do Nelson Rodrigues – que custa inacreditáveis R$ 73. Pois bem. E eu estava ainda dando uma olhada nas prateleiras quando ouço uma conversa – eu ouço todas as conversas de uma livraria. Era uma senhora, que devia ter perto de 50 anos, que procurava um livro e pedia ajuda a uma atendente, também mais velha. Queria alguma obra do Luís Fernando Veríssimo e não estava encontrando.

A atendente, mostrando que realmente entendia do assunto, disse que o problema era que a mulher procurava na letra L, quando na verdade devia procurar na letra V. E mais, disse a atendente: é preciso olhar gênero por gênero. Logo percebi que a atendente não fazia ideia do tipo de texto que o Veríssimo fazia. Pra ajudar a mulher, ela começou a olhar a prateleira de biografias. Eu não sei se existe uma biografia do Luis Fernando Veríssimo, e se existe tenho uma constatação a fazer: está incompleta. Afinal, ele continua dando as caras por aí, muito vivo – embora tímido. Também desconheço que ele tenha escrito a biografia de quem quer que seja. Logo, a atendente estava perdendo tempo.

Partiu então para a outra prateleira, que coincidiu de ser a de contos e crônicas. Lá havia, realmente, alguns livros do Veríssimo. Uma meia dúzia. Pois a mulher olhou bem para eles, e constatou: “Já tenho todos”. Estive a ponto de amar aquela mulher, mas não demoraria muito tempo o meu sentimento. Na sequência, a atendente partiu para a prateleira de romances. “Mas ele só tem um romance”, protestou a mulher, equivocadamente. E lá ela achou um livro que realmente não possuía ainda, e que não pude ver qual era. A atendente, mostrando que havia sido selecionada a dedo pela direção da livraria, reparou então que havia muitos romances de Veríssimo na prateleira – todos do Erico, que, como quase todo mundo sabe, não é o Luis Fernando.

A mulher então alertou a atendente de que o Erico era o pai do Luis Fernando, e que estava tudo entre família, mas que, definitivamente, eles não eram a mesma pessoa – é claro que falou isso com muito mais graça e menos grosseria do que eu repito aqui. E então a mulher acrescentou que o Erico “é meio chato” – foi nessa ocasião que deixei de amá-la. Em seguida ela partiu para o caixa, levando o seu livro do Veríssimo filho.

Bolas, eu acho sinceramente que uma atendente de livraria que não conhece o Luis Fernando Veríssimo – o escritor que mais vende livros no Brasil – e que não havia reparado ainda que existe um outro escritor com o mesmo sobrenome – por coincidência, o seu pai – poderia muito bem ser demitida por justa causa. A grande sorte dela é que nem eu e nem a mulher somos ruins o bastante para reclamar. Porque se eu fosse ruim, mas ruim mesmo, eu chegaria para ela e perguntaria:

– Onde ficam os livros do José Veríssimo?

Henrique Fendrich


Eu não acho nada certo

 

Não. Eu não acho certo você vir aqui às três da madrugada junto com seu amigo afeminado que já deve estar com a rosca mais que queimada. Eu não acho certo você pular o muro do meu quintal, com cerca elétrica e tudo, e depois arrombar a porta e ir entrando e quebrando tudo, meu computador, e ir mandando todo mundo calar a boca só porque você tem aí uma arma com três ou quatro balas. Eu não acho certo você me deixar aqui com esse seu amigo molenga pra ir defecar no meu banheiro. E também não acho certo essa bicha mijar no tapete que eu nem terminei de pagar ainda e que é caro porque comprei numa de minhas viagens ao Caribe. Não acho certo esse seu jeito de ladrão bacana apontando a arma pra cabeça da minha mulher e da minha filha que só tem cinco anos. A empregada você só manda ficar quieta porque sabe que se matá-la será um alivio pra mim, pois essa endiabrada deu pra me ameaçar depois que eu a apertei no mês passado no corredor do banheiro e que deve estar fedendo agora por causa dos seus alívios; o corredor, é claro. Ladrãozinho cagão. Não é certo você bater com isso na minha cabeça, olhe aí o sangue correndo pelo meu rosto; eu queria morrer com a cara sem hematomas, cacete. Não é nada certo esse seu namoradinho viado bater na cara da minha mulher. Ela não tem culpa de gostar tanto desse tapete importado que agora fede à urina. Eu não acho nada certo você matar assim, covardemente, meu cachorro; ele nasceu pra latir e só obedecia aos seus instintos. Você está nos mantendo presos aqui. É mais um crime nas suas costas, babaca. Eu não acho certo você estuprar minha esposa na minha frente. Viu só, seu puto, a menina está chorando. Não! Eu não acho certo você matar minha mulher desse jeito: com um tiro no meio da testa. Pegue o que veio pegar e vá embora, merda. Eu não acho certo esse seu colega ir à cozinha. Não há nada lá. Pra quê isso? Pelo amor de Deus, eu não acho certo você judiar dessa maneira da menina. OS lábios não! Dói para um pai ver a filha pequenininha estrebuchando no tapete da sala. Vocês hão de me pagar, seus bostas. Para quê tamanha crueldade? A polícia está chegando e vocês vão se ferrar. Agora sim, seus desgraçados. Só têm duas balas na agulha, se vocês vão me matar mesmo, quero uma cravada no meu cérebro e outra no meu peito. Esse é meu último pedido e vocês têm que respeitar. E, cacete, não demorem, vão tomar no – dois tiros.


Os poetas estavam reunidos

 

Eram todos homens. De nacionalidades e períodos diferentes. Havia um português provavelmente do século XIX, já que era ungido de forte veia romântica. Havia um inglês que visivelmente se incomodava com o legado de Shakespeare. Um escandinavo, cujo linguajar remetia à era medieval, fitava com certo desprezo o francês que aparentava contemporaneidade. O espanhol fazia valer o sangue quente que atribuem a essa ascendência. Com pinta de navegador, ele gostava de declamar versos sobre natureza e mar. Existia, ainda, um americano que em regozijo logo precisou que vinha dos primórdios do século XX.
Os seis estavam reunidos em virtude de uma pauta bem específica: o feminino.
O americano se declarava um entusiasta do feminino. Não havia no mundo algo que facilitasse mais os poemas do que a mulher. O escandinavo seguia fitando o francês que anuía com a cabeça enquanto o americano falava. O espanhol, então, observou que a “mulher só era útil à poesia quando metáfora”. O português então se levantou e deu um tapa no espanhol. A rivalidade entre as nacionalidades, afinal, é histórica. Mas é compreensível o descontentamento do português com a colocação do espanhol.
O inglês achava aquela discussão toda muito frívola e buscava com os olhos alguém que lhe pudesse trazer um chá. O francês, por sua parte, ponderava como aqueles homens podiam ser estudados e admirados. Era, certamente, um equívoco de historiadores pouco zelosos.
A preocupação do francês, segundo colocou tão pronto o inglês sentou-se com seu chá, era que os poetas no transcorrer das gerações, tivessem falhado em capturar a essência do feminino. “Talvez por estarem inebriados pelo néctar”, pontuou o espanhol sorridente. “Mas e o que dizer dos poetas homossexuais?”, retrucou o americano. “Esses foram os que chegaram mais perto”, devolveu o francês e emendou a pergunta: “Os senhores não amaram?”
O português, novamente, se ofendeu com a pergunta. Mas antes que pudesse estapear o francês, o escandinavo bradou pela primeira vez. “Talvez o problema esteja aí”. Silêncio. Esperavam um complemento do raciocínio, mas ele não veio.
O americano deflagrou, então, alguns versos:

“Women are not science
Women are divine in flesh
Life in silence
Caos in math
Glory in reverse ”

Os poetas entreolharam-se. Estavam todos perdidos. Talvez mais do que aqueles que os leem.