Onde vai dá tanto desimbêste?

Quem se achega ao Santuário dos Pajés logo vê cobaíba, aroeira, ipê, jatobá, um festejo de árvores nativas do cerrado, passarim de enchê de luz as vista – os Fulniô batucando, e quem vai se achegando também vai se inteirando da vida com a terra, planta-se um ipê aqui, uma goiabêra ali, um pequizêro acolá; uns mais achegados arriscam uma pandeiração nas batucadas, se apruma nos pife, bate triângulo e quizumba na zabumba.

 

Até certo tempo atrás – dizem – nada perturbava o canto do juriti – o diabo é que há menos de uma légua, bem perto dali, estridente grita, esperneia com uma fome desesperada de destruição os tratores da Emplavi. Esses tratores, diferente dos passarinhos, não cantam nem avoam; só fazem zoada e desmatação. Chegam derrubando tudo, sem um pingo de dó arrastam árvores ancestrais plantadas pelos índios há anos: caem por terra umbaúbas, guarirobas, pau d’balsa, ipês, copaíbas, cai tudo, e num sobra nada por onde essas peste passa, só a poeira vermelha nas vista… E a gente simples que se sente rica com tanto passarinho, bicho e planta, em desalento se pergunta: pra quê isso, meu Deus, pra quem serve tanta destruição, onde vai dá tanto desimbêste?

 

2 comentários em “Onde vai dá tanto desimbêste?

  1. Muitas árvores não conhecia (e aqui o google imagens me ajudou) e algumas palavras se fizeram entender pelo todo! Pincelada danada de bonita em uma realidade danada de triste!

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