A long way home

Com cada real dos três da passagem, Ella comprou uma hora de trânsito até em casa.

Só tomou o cuidado de não sentar um banco reservado. Pousou a bolsa no colo, colocou os fones de ouvido e fechou os olhos.

Queria dormir. De verdade. Mas não conseguia. Ainda não. Precisava primeiro parar um pouco. Para pensar.

Em coisas que não eram boas, que não faziam bem e que talvez nem fossem verdade.

Era preciso. Pensar.

Não queria perguntas, consolo, nem pena. Só aquela paz. Chorou.

Apenas um passageiro estava em posição de se perguntar o porquê de tantas lágrimas de sonho. Se não fungava, nem soluçava, era claro que ela dormia, concluiu.

A queda de tanto sentimento aprisionado gerou cansaço. E Ella dormiu um sono escuro. Quase perdeu o ponto.

O outro passageiro nunca saberia que Ella comprou aquele choro, cujo troco, uma música foi ele quem compôs.

Aline Viana

Ps. Como conversei com o Henrique Frenderich, outro dia, essa crônica é resultado de uma inspiração trocada. Para conhecer a crônica que inspirou essa, clique aqui.

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Sobre Aline Viana

Aline Viana nasceu em São Paulo, em 1981, mas prefere que não espalhem a que safra pertence. É formada em jornalismo. Cansada de tanto quem, o quê, quando, onde, como e porque resolveu entrar em um curso de crônicas. Foi um santo remédio para recuperar a saúde de seus textos. Se o diagnóstico está correto, você pode checar nos blogs: cronicasdas12.blogspot.com e semanalmente no vidasetechaves.wordpress.com . Novos pareceres são sempre bem-vindos. Ver todos os artigos de Aline Viana

6 respostas para “A long way home

  • Maria Olimpia

    li a crônica do Henrique e me encantei, li a sua e me encantei de novo, voltei na do Henrique e continuei encantada, só falta agora começar a chorar…

  • Henrique Fendrich

    Que linda essa! Bem viva, a crônica. Veja como rendeu o choro da muié =). O título me fez lembrar de On The Way Home http://letras.terra.com.br/neil-young/142766/, e só agora me toquei que o título é um e o nome da música é outra. Apesar que caia bem como trilha sim.

    • Aline Viana

      Obrigada, Henrique! Pois é, rendeu mesmo o choro dela: pessoas não tenham vergonha de chorar onde quer que seja, rsrsrs
      Adorei a músida, ainda não a conhecia!

      Beijos,
      Aline

      • Henrique Fendrich

        Legião gravou no acústico =)

        Sabe que ontem mesmo eu tava chegando num shopping aqui de Brasília e tinha uma adolescente de uns 16 anos sentada do lado de fora com a cabeça no meio das mãos, chorando. Eu atraio esse tipo de gente.

      • Aline Viana

        Olha, Henrique, sei lá, né, mas vc podia tomar um banho de sal grosso, rsrsrs 😛

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