Depois das três

Depois das três…

…é que meu dia começa. Só então faço o que quero, livre das obrigações costumeiras. Não que minhas obrigações rotineiras sejam pesadas ou eu não goste de fazê-las. Não, cada hora do meu dia é escolha minha e mesmo que alguma coisa vez por outra me incomode, no geral carrego um fardo leve. Mas, depois das três…

Só depois das três sou realmente livre, faço o que quero, na hora que quero (contanto que seja depois das três), do jeito que me apraz. Saio dos Bancos, sem lenço, mas não sem documentos e vou zanzando por ali e aqui, vendo vitrines, experimentando e comprando, encontrando gente. Depois de uma paradinha para um lanchinho que me livra da hipoglicemia, presença constante se pulo uma refeição, de preferência na Beth, livraria e cafeteria, dou uma volta na Praça e me sento em um banco para ver a vida passar e eu com ela. E enquanto a vida passa e eu com ela também, observo e anoto em uma cadernetinha chinfrim que carrego na bolsa tudo o que me chama atenção.  É depois das três que geralmente eu garimpo matéria prima para meus escritos, que penso na vida e na morte da bezerra, que conto meus casos olho no olho ou no computador. Depois das três é que viajo nas asas do sonho acompanhada de minhas fiéis companheiras, servas e senhoras, as palavras que são a música, trilha sonora desse filme que é a minha vida.

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5 respostas para “Depois das três

  • Afonso Guerra-Baião

    porque já passa das três
    há uma mulher atenta
    ao letra e ao espírito
    da vida;
    há uma mulher que luta
    com a forma e o sentido
    das palavras
    porque já passa das três
    e nunca é tarde

  • Aline Viana

    Pôxa, é ótimo isso de você conseguir reserva uma parcela pra você e, usá-la em busca de reunir elementos, de se inspirar para escrever. Seu método deu tão certo que até o Afonso se inspirou! rsrsrs

  • Henrique Fendrich

    Que bacana! Vc usa a cadernetinha mesmo? Eu não tenho o hábito de anotar. Acho que perco muita coisa por conta disso.

  • marinacostas

    Da pra ficar alegre com você depois das 3, ao vê-la narrar com tanta leveza! Eu também preciso adotar a ideia do caderninho… Tanto que perco e só lembro da falta que faz uma caneta às vezes!

  • Henrique Fendrich

    Acho que o verdadeiro momento em que escrevo, é quando olho. Porque é quanto sinto e vivo. Quando sento na frente do pc, quase não tem mais emoção. Apenas transcrevo. Por isso um caderno ajuda.

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